sexta-feira, 18 de maio de 2018

Catecismo Ilustrado - Parte 39 4º Mandamento de Deus: Honrar pai e mãe



Catecismo Ilustrado - Parte 39

Os Mandamentos

4º Mandamento de Deus (continuação): Honrar pai e mãe

1. Este mandamento obriga também os pais de alguma coisa para com os filhos. Devem os pais: 1º educar bem os filhos cristãmente com palavras e bom exemplo; 2º procurar-lhes os alimentos e modo de vida; 3º castigá-los em suas faltas sem aspereza nem demasiada severidade.

2. O primeiro dever dos pais é amar a todos os seus filhos igualmente com ternura cristã e sem fraqueza. Devem considerar os filhos como um tesouro que Deus lhes confiou e do qual lhes há de pedir rigorosa conta.

3. Dizemos que os pais devem educar cristãmente os filhos, isto é, devem ensinar-lhes as orações e os principais mistérios da religião; mandá-los à catequese e a uma escola cristã onde recebam uma instrução religiosa; levá-los a amar a Deus e a evitar o pecado; fazer-lhes cumprir as suas obrigações religiosas.

4. Os pais devem procurar aos filhos um modo de vida conforme a sua condição econômica e posição social, e não devem opor-se à vocação dos filhos. Não devem desejar para os filhos senão o que Deus quer, como no-lo mostra a resposta de Jesus à mãe dos Apóstolos João e Tiago. “Então se aproximou dele a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, prostrando-se, para Lhe fazer um pedido. Ele disse-lhe: "Que queres?. Ela respondeu: Ordena que estes meus dois filhos se sentem no Teu Reino, uma à Tua direita e outro à Tua esquerda". Jesus disse: “Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que Eu hei de beber? Eles responderam-Lhe: “Podemos”. Disse-lhes: "Efetivamente haveis de beber o  Meu cálice, mas, quanto a sentar-se à Minha direita ou à Minha esquerda, não pertence a Mim concedê-lo; será para aqueles para quem  está reservado por Meu Pai.
Os outros dez, ouvindo isto, indignaram-se contra os dois irmãos. Mas Jesus chamou-os e disse-lhes; "Vós sabeis que os príncipes das nações as subjulgam e que os grandes as governam com autoridade. Não seja assim entre vós, mas todo aquele que quiser ser entre vós o maior, seja vosso servo, e quem quiser se enre vós o primeiro, seja vosso escravo. Assim como o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida para resgate de  todos" (Mat XX, 20-28)
5. Quando dizemos que os pais devem castigar os filhos, entendemos que os pais devem vigiar o comportamento dos filhos, repreendê-los e castigá-los quando fizerem o mal, sem aspereza e com a única intenção de emendá-los.

6. Pela obrigação do bom exemplo entendemos que o pai e a mãe devem cumprir com os seus deveres religiosos: a oração, a assistência à Missa, a frequência dos Sacramentos, e evitar tudo quanto poderia levar os filhos ao pecado, como as blasfêmias, murmurações, palavras desonestas e de zombaria contra a religião.

Explicação da gravura

7. Divide-se a gravura em cinco partes. Vemos no meio Santa Ana ensinando a ler a Santíssima Virgem ainda menina. Vê-se São Joaquim, pai da Virgem, contemplando-A com paternal ternura.

8. No ângulo superior à direita está representada Branca de Castela ensinado o seu filho São Luís de França (S. Luís IX) a rezar e dizendo-lhe: “Meu filho, antes quero ver-te morto do que a cometer um pecado mortal”.

9. No ângulo esquerdo vê-se um senhor que obriga o filho a pedir perdão a um pobre, que não respeitara.

10. Na parte inferior vemos o sumo sacerdote Heli castigado por Deus, por ele não ter castigado os filhos cujo mau comportamento afastava o povo do serviço do Senhor. Os filhos dele, Ophni e Phiné foram mortos numa batalha contra os Filisteus. Recebendo o a fatal notícia, o pai caiu e quebrou a cabeça nos degraus do seu trono.

Leia todos os artigos pelo link abaixo;
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quinta-feira, 17 de maio de 2018

Dos pecados que se devem evitar, suas raízes e consequências


Dos pecados que se devem evitar, suas raízes e consequências (Parte 1)

Como ensina São Gregório Magno e, depois dele, Santo Tomás, os pecados capitais de vanglória ou vaidade, preguiça, inveja, ira, gula e luxúria não são os mais graves de todos, pois maiores são os de heresia, apostasia, desesperação e de ódio a Deus; mas são os primeiros a que se inclina nosso coração, levando-nos a nos afastar de Deus e a cometer outras faltas ainda mais graves.

O homem não chega à perversão absoluta de uma vez, mas pouco a pouco.

Examinemos primeiro, em si mesma, a raiz dos sete pecados capitais.


Todos eles se originam no amor desordenado de si mesmo ou egoísmo, que nos impede de amar a Deus sobre todas as coisas e inclina a nos apartarmos dele.

É evidente que pecamos, i. e., que nos desviamos de Deus e nos afastamos dele cada vez que tendemos para um bem criado, indo contra a vontade divina.

Isto é a consequência fatal de um amor desordenado de nós mesmos, que vem a ser a fonte de todo pecado. Por conseguinte, não só é necessário moderar esse amor desordenado ou egoísmo, mas também é preciso mortificá-lo, para que o amor ordenado ocupe seu lugar. Enquanto o pecador em estado de pecado mortal se ama a si sobre todas as coisas, praticamente antepondo-se a Deus, o justo ama a Deus mais que a si e deve, além disso, amar-se em Deus e por Deusamar seu corpo de tal maneira que sirva à alma, não lhe obstando a vida superior; amar a alma convidando-a a participar eternamente da vida divinaamar sua inteligência e vontade, de modo que participem mais e mais da luz e do amor de DeusEste é o sentido profundo da mortificação do egoísmo, do amor e da vontade próprios, opostos à vontade de Deus.

Além disso, não deve permitir que a vida descenda, mas, pelo contrário,que ascenda em direção daquele que é fonte de todo o bem e de toda a beatitude.

Dos pecados que se devem evitar, suas raízes e consequências (Parte 2)

O amor desordenado de nós mesmos leva à morte, como diz o Senhor: “O que ama (desordenadamente) a sua vida perdê-la-á; e quem aborrece (ou mortifica) a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna” (João 12, 25).

Desse desordenado amor, raiz de todos os pecados, nascem as três concupiscências de que fala São João (I João 2, 16) quando diz: “Porque tudo o que há no mundo é concupiscência da carne, e concupiscência dos olhos, e soberba da vida; e isto não vem do Pai, mas do mundo”.

Observa Santo Tomás que os pecados carnais são mais vergonhosos que os espirituais porque nos rebaixam ao nível do animal; contudo, os espirituais, os únicos que se compartilham com o demônio, são mais graves, porque vão diretamente contra Deus e nos afastam dele.

concupiscência da carne é o desejo desordenado do que é ou parece útil à conservação do indivíduo ou da espécie, e deste amor sensual provêm a gula e a luxúria.

concupiscência dos olhos é o desejo desordenado do que agrada a vista, o luxo, as riquezas, o dinheiro que nos proporciona os bens terrenos; dela nasce a avareza.

A soberba da vida é o desordenado amor da própria excelência e de tudo aquilo que pode ressaltá-la; quem se deixa levar pela soberba, erige-se a si em seu próprio deus, a exemplo de LúciferDaí se vê a importância da humildade, que é virtude capital, tanto quanto o orgulho é fonte de todo pecado.

São Gregório e Santo Tomás ensinam que a soberba é mais que um pecado capital: é a raiz da qual procedem mormente quatro pecados capitais: vaidade, preguiça espiritual, inveja e ira.

vaidade é o amor desordenado de louvores e de honras; a preguiçaespiritual se entristece pensando no trabalho requerido para santificar-se; a ira, quando não é uma indignação justificada e sim um pecado, é um movimento desordenado da alma que nos inclina a rechaçar violentamente o que nos desagrada, de onde se seguem as disputas, injúrias e vociferações.

Estes pecados capitais, sobretudo a preguiça espiritual, a inveja e a ira,engendram tristezas amargas que afligem a alma e são totalmente contrários à paz espiritual e ao contentamento, ambos frutos da caridade.

Não deve o homem apenas contentar-se em moderar tais germes de morte, senão também mortificá-los.

Dos pecados que se devem evitar, suas raízes e consequências. Parte 3

prática generosa da mortificação dispõe a alma para outra purificação mais profunda que Deus mesmo realizacom o fim de destruir completamente os germes de morte que ainda subsistam em nossa sensibilidade e faculdades superiores.

Mas não basta considerar as raízes dos sete pecados capitais; é preciso analisar suas consequências.

Como consequências do pecado se entendem geralmente as más inclinações que os pecados deixam em nosso temperamento, mesmo depois de apagados pela absolvição.

Entretanto, também pode entender-se como consequências dos pecados capitais os demais pecados que têm sua origem neles.

Os pecados capitais assim se chamam porque são um como princípio de muitos outros; temos, em primeiro, inclinação para eles e depois, por meio deles, para outras faltas às vezes mais graves.

É dessa forma que a vanglória gera desobediência, jactância, hipocrisia, disputas, discórdia, afã de novidades, pertinácia.

preguiça espiritual conduz ao desgosto das coisas espirituais e do trabalho de santificação, em razão do esforço que exige, engendrando a malícia, o rancor ou a amargura contra o próximo, a pusilanimidade ante o dever, o desalento, a cegueira espiritual, o esquecimento dos preceitos, a busca do proibido.

Igualmente, a inveja ou desagrado voluntário do bem alheio,bem que temos como mal nosso, engendra o ódio, a maledicência, a calúnia, a alegria do mal alheio e a tristeza por seus triunfos.

Por sua vez, a gula e a sensualidade geram outros vícios e podem conduzir à cegueira espiritual, ao endurecimento do coração, ao apego à vida presente até à perda da esperança da vida eterna, ao amor de si mesmo até ao ódio de Deus e à impenitência final.

Dos pecados que se devem evitar, suas raízes e consequências (Parte 4)

Frequentemente, os pecados capitais são mortais. Podem existir de uma maneira muito vulgar e baixa, como em muitas almas em pecado mortal, ou bem podem também existir, nota São João da Cruz, em uma alma em estado de graça, como outros tantos desvios da vida espiritual. Por isso se fala às vezes da soberba espiritual, da gula espiritual, da sensualidade e da preguiça espiritual.

A soberba espiritual inclina, por exemplo, a fugir daqueles que nos dirigem reprimendas, ainda quando tenham autoridade para isso e no-las dirijam justamente; também pode levar-nos a guardar-lhes certo rancor em nosso coração.

Quanto à gula espiritual, poderia fazer-nos desejar consolos sensíveis na piedade, até o ponto de buscarmos nela mais a nós mesmos que a Deus. É o orgulho espiritual a origem do falso misticismo.

Felizmente, diferentemente das virtudes, estes vícios não são conexos, ou seja, pode-se possuir uns sem os outros, e muitos são até contrários entre si: assim, não é possível ser avaro e pródigo ao mesmo tempo.

A enumeração de todos estes tristes frutos do exagerado amor de si deve levar-nos a um sério exame de consciência e nos ensina, ademais, que o terreno da mortificação é muito extenso, se quisermos viver uma vida cristã profunda.

Dos pecados que se devem evitar, suas raízes e consequências. Parte 5

O exame de consciência, longe de apartar-nos do pensamento de Deus, aponta-nos para ele. Deve-se inclusive pedir-lhe luz para enxergar um pouco a alma como o próprio Deus a vê, para enxergar o dia ou a semana que passaram como se os víssemos escritos no livro da vida, à maneira de como os veremos no dia do Juízo Final.

Por isto temos de repassar cada noite, com humildade e contrição, as faltas cometidas de pensamento, palavra, ação e omissão.

No exame deve-se evitar a minuciosa investigação das menores faltas, tomadas em sua materialidade, pois semelhante esforço poderia fazer-nos cair em escrúpulos e esquecer coisas mais importantes.

Trata-se menos de uma completa enumeração das faltas veniais que da investigação e acusação sinceras do princípio de onde geralmente procedem.

A alma não deve se deter em demasia na consideração de si mesma, deixando de olhar para Deus. Pelo contrário há de se perguntar, tendo os olhos fitos em Deus:
·        Como julgará Deus este dia ou semana que agora termina?
·        Foi este dia meu ou de Deus?
·        Busquei a ele ou a mim?

Desse modo, sem turbação, a alma julgar-se-á desde um plano elevado, à luz dos preceitos divinos, tal como se julgará no último dia. Mas, como diz Santa Catarina de Sena, não separemos a consideração de nossas faltas do pensamento da infinita misericórdia. Olhemos nossa fragilidade e miséria ao lume da infinita bondade de Deus que nos alevanta. O exame, feito deste modo, longe de desalentar-nos, aumentará nossa confiança em Deus.

Por contraste, a visão de nossos pecados nos esclarece o valor da virtude. O que melhor nos revela o valor da justiça é a dor que a injustiça produz. A imagem da injustiça que cometemos e o pesar de tê-la cometido devem nos despertar a “fome e sede de justiça”. Por contraste, é necessário:
·        que a fealdade da sensualidade nos revele a beleza da pureza;
·         que a desordem da ira e da inveja nos faça compreender o alto valor da mansidão e da caridade;
·        que as aberrações da soberba nos ilustrem acerca da elevada sabedoria da humildade.

Peçamos a Deus inspirar-nos um santo aborrecimento do pecado, que nos separa da divina bondade, da qual tantos benefícios recebemos e esperamos para o porvir.

Esse santo ódio do pecado não é, de certa forma, senão o outro lado do amor de Deus. É impossível amar profundamente a verdade sem detestar a mentira, amar de coração ao bem, e o soberano Bem que é Deus, sem que por sua vez detestemos o que nos separa de Deus.

Dos pecados que se devem evitar, suas raízes e consequências (Parte 6)

A maneira de evitar a soberba é pensar com frequência nas humilhações do Salvador e pedir a Deus a virtude da humildade.

Para reprimir a inveja, temos de rogar pelo próximo, desejando-lhe o mesmo bem que para nós desejamos.

Aprendamos igualmente a reprimir os movimentos da ira, afastando-nos dos objetos que a provocam, trabalhando e falando com doçura.

Esta mortificação é absolutamente indispensável.

Pensemos que temos que salvar nossa alma e que ao nosso redor há muito bem a se fazer, sobretudo na ordem espiritual.

Não esqueçamos que devemos trabalhar pelo bem eterno dos demais e empregar, para consegui-lo, os meios que o Salvador nos ensinou: a morte progressiva do pecado, mediante o progresso nas virtudes e principalmente no amor de Deus.



Excerto do livro "As três idades da vida interior"
do padre Reginald Garrigou-Lagrange

Como Rezar o Terço

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quarta-feira, 16 de maio de 2018

O poder da oração na vida do cristão.



O Que é a Oração?


A oração é uma elevação da alma a Deus, para adora-Lo, para Lhe dar graças e para Lhe pedir aquilo de que precisamos. A oração pode dividir-se em mental e vocal. Oração mental é a que se faz só com a alma; oração vocal a que se faz com as palavras acompanhadas da atenção do espírito e da devoção do coração.


O Que a Oração faz?


- Alimenta nossa alma;
- É o caminho ordinário para receber os dons de Deus;
- É um mandamento de Deus;
- É uma arma poderosa contra os inimigos;
- Faz-nos progredir na virtude;
- Torna as ações fecundas.

E quando devo rezar?


Diz o Terceiro Catecismo da Doutrina Cristã que, nós cristãos, devemos rezar especialmente nos perigos, nas tentações e no momento da morte; além disso, devemos rezar freqüentemente, e é bom que o façamos pela manhã e à noite, e no princípio das ações importantes do dia.

Para aqueles que não sabem o que rezar de manhã e à noite a seção "Orações da Manhã e da Noite" vem para ajudá-lo. O Rosário é uma importante arma contra o demônio também. Para quem não o conhece, na seção "Rosário" explicamos como rezá-lo e expomos as graças que Nossa Senhora concede a quem o faz.

Cada realidade é diferente uma da outra. Cada alma precisa especificamente de uma coisa ou outra, não podemos recomendar coisas muito específicas para cada necessidade particular... Mas uma coisa é certa que recomendamos: ESTUDO direcionado e ORAÇÃO. Delas, a mais excelente é a oração. É através do constante contato com Deus que a alma vai sendo guiada como uma criança pela mão da mãe.

Como recomendações gerais, também sugerimos a utilização do ESCAPULÁRIO DO CARMO, e o ESCAPULÁRIO VERDE para aqueles que precisam de conversão. Enfim, visite todas as nossas seções se puder, que isso o ajudará muito!




Referências: Catecismo de São Pio X; A Oração - Sto. Afonso de Ligório.

Como Rezar o Terço


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terça-feira, 15 de maio de 2018

PROGRAMA DE SANTIDADE



PROGRAMA DE SANTIDADE


"Domingo, 8 de abril :

Jesus falou-me muito das virtudes interiores. Ele deseja que não haja nem movimento, nem uma palavra sequer, por parte daquela de quem gosta tanto, que não seja regulada pela Sua Graça. Compreendi toda a extensão que ele dava às virtudes interiores, humildes, desconhecidas, escondidas.

Compreendi sobre tudo que Ele era a Luz e a Verdade. Inundava minha alma com seus divinos raios que lhe permitem perceber a santidade verdadeira, prática, profunda... Prometeu-me Sua luz e disse-me que este era o dom maior que poderia me dar neste mundo. Esta luz divina que ilumina, que revela a santidade, os preciosos segredos de Jesus, esta luz divina que traz o calor, o amor.

Voltando às virtudes interiores, pediu-me que amasse muito essas humildes virtudes cuja existência ninguém suspeita e cuja beleza somente Ele, sozinho, pode conhecer, e acrescentou: 
- nunca pronuncie uma palavra em teu próprio louvor, 
- evite frequentemente uma palavra, um gesto, um olhar;
- caminhe até perder de vista com essas preciosas virtudes escondidas; 
- prefira o silêncio,
- ame passar despercebida, 
- não pronuncie jamais uma palavra inútil, 
- sempre Comigo, sempre habilidosa em te esconder atrás do silêncio, da paz, do esquecimento das criaturas; caminhe, caminhe. 

A perfeição não tem limites – caminhe sempre mais para frente.

Remova cada dia os menores grãos de poeira. Essas virtudes tão humildes, tão pequenas na aparência, são abismos que a alma pode sempre aprofundar; minha filha, essas virtudes tão humildes, tão modestas, são também tesouros que encantam meu divino Coração. 

Olhe para a minha divina Mãe e contemple esta obra-prima das virtudes interiores. Quero que nelas você progrida muito. Para tanto, seja amável, mas com uma suave gravidade e um tanto séria, seja paciente sem que se possa perceber tal ato de paciência de sua parte; sem que se possa descobrir se algo te contrista ou te irrita; seja tão boa que nada possa anuviar teu rosto, mas sempre com suave seriedadeseja tão caridosa que teus lábios nunca profiram a menor crítica;esteja sempre pronta a esquecer, a perdoar, a ajudar.

Seja tão discreta que passe despercebida.

Ao agir, faça pouco barulho; ao falar, diga poucas palavras, submete tua vontade cada vez que for possível sem faltar aos deveres; aceita a opinião dos outros por condescendência, por virtude: teu Jesus dar-te-á tato, a finura necessários para agir no momento certo, sem fraqueza, sem abuso.

Procura mortificar-se em cada encontro com tanta boa vontade e finura que somente Jesus seja testemunha.

Procura ser esquecida, não fala de ti mesma nem bem, nem mal: tenha sempre um sorriso nos lábios e com tanta simplicidade que a própria virtude pareça natural aos olhos de todos; ficará minorada pela grandeza de sua própria perfeição.

Tendo falado assim, Jesus pediu-me ainda a coragem paciente, generosa, constante, exigida por este esforço interior praticado, tão mortificante, tão escondido, tão extenso, tão perpétuo...

Eu mesma notei algumas imperfeições, algumas palavras inúteis, uma precipitação exagerada numa ação, um instante de tristeza exagerada ao pensar na separação que tanto me fere. Mas procurarei fazer melhor amanhã.

Jesus deu-me a entender que se tratava de um trabalho para toda a minha vida e que o importante era nunca estar satisfeita, nunca descansar.

***

9 de abril.

Ele me pede não fazer nada que seja inútil: vou me esforçar com afinco... nada de natural, tudo com calma, tudo sem barulho, tudo com mansidão, mesmo se for interrompida vinte vezes, tudo sem vontade própria mas unicamente pela vontade d’ Ele, de tal forma que esteja pronta a tudo deixar, tudo abandonar; enfim, um desprendimento total de modo a não me deixar cativar nem por um instante, escolher as tarefas menos atraentes."


Rda. Madre Marie Cronier – 1857-1937
Fundadora e primeira Abadessa do Mosteiro de
Sainte-Scholastique de Dourgne
França.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

SÃO JOSÉ: UMA VOCAÇÃO À VIRTUDE ESCONDIDA


Fonte: FSSPX/Distrito da Grã-Bretanha – Tradução: Dominus Est
São José, uma vocação oposta a dos apóstolos
Bossuet em seu primeiro panegírico do santo diz: “Dentre as diferentes vocações, noto duas nas Escrituras que parecem diretamente opostas: a primeira é a dos Apóstolos, a segunda a de São José.
  • Jesus foi revelado aos apóstolos para que eles pudessem anunciá-Lo por todo o mundo; Ele foi revelado a São José, para que permanecesse em silêncio e O mantivesse escondido.
  • Os Apóstolos são luzes para fazer o mundo ver Jesus; José é um véu para cobri-Lo; e sob esse misterioso véu estão escondidos de nós a virgindade de Maria e a grandeza do Salvador das almas
  • Aquele que torna os apóstolos gloriosos com a glória da pregação glorifica José pela humildade do silêncio”. A hora da manifestação do mistério da Encarnação ainda não chegara: deveria ser precedida pelos trinta anos de vida escondida.
São José, uma vocação superior a dos apóstolos
A vocação do silêncio e da obscuridade de São José ultrapassou a dos Apóstolos porque se aproximava mais da Encarnação redentora. Depois de Maria, José estava mais próximo do Autor da graça, e no silêncio de Belém, durante o exílio no Egito, e na pequena casa de Nazaré ele recebeu mais graças do que qualquer outro santo.
Dupla era a sua missão. Em relação a Maria, ele preservou sua virgindade contraindo com ela um casamento verdadeiro, mas totalmente sagrado. Maria encontraria ajuda e proteção em São José. Ele a amava com um amor puro e devotado, em Deus e por Deus.
No que diz respeito ao Verbo Encarnado, José vigiava, protegia e contribuía para a Sua educação humana. Ele é chamado Seu pai adotivo, mas o termo não expressa totalmente a misteriosa relação sobrenatural entre os dois. Os Apóstolos temiam o menor perigo, mas Deus lhes deu um novo coração e sua coragem tornou-se destemida… A mesma mão deu a José o coração de um pai e a Jesus o coração de um filho. É por isso que Jesus obedece e José não teme ordenar.
Como ele tem coragem de mandar em seu Criador? Porque o verdadeiro Pai de Jesus Cristo, o Deus que Lhe dá nascimento desde toda a eternidade, tendo escolhido José para ser o pai de Seu único Filho no tempo, infundiu dentro de seu peito algum raio ou alguma centelha de Seu infinito amor por Seu Filho; foi isso que mudou seu coração, foi isso que lhe deu o amor de um pai, e José, o homem justo que sente o coração do pai dentro dele, sente também que Deus deseja que ele use sua autoridade paterna, de modo que ele ousa comandar Aquele que ele sabe que é seu Mestre.
A vocação de São José para o escondimento é também nossa
Bossuet faz essa observação geral sobre as virtudes da vida escondida: “É uma debilidade comum dos homens entregarem-se inteiramente ao que está fora e negligenciar o que está dentro; trabalhar por meras aparências e negligenciar o que é sólido e duradouro; pensar frequentemente na impressão que causam e pouco no que eles deveriam ser.
É por isso que as virtudes mais altamente consideradas são aquelas que dizem respeito à conduta e direção das coisas. As virtudes escondidas, pelo contrário, que são praticadas longe da visão pública e sob o olhar de Deus, não são apenas negligenciadas, mas mal sequer se ouve falar delas.
E, ainda assim, este é o segredo da verdadeira virtude… um homem deve ser interiormente forjado em si mesmo antes de merecer ser posto entre outros; e se esta base estiver faltando, todas as outras virtudes, por mais brilhantes que sejam, serão meras exibições… não farão o homem de acordo com o coração de Deus. José buscou a Deus em simplicidade; José encontrou Deus em desapego; José desfrutou da companhia de Deus na obscuridade.”
Honremos São José
Honremos hoje a São José:
  • buscando a sua proteção – a mesma proteção que ele deu à sua esposa e ao Menino Jesus;
  • rezando para que a mesma centelha de infinito amor paternal por Jesus, no coração de José, estenda-se às nossas almas para também nos comandar;
  • e implorando pela graça, através das mãos de sua esposa, a Santíssima Virgem Maria, para que possamos crescer em virtude escondida neste mundo, a fim de cantar a glória de Deus e São José na próxima. Amém.

    Fonte:
  • http://www.catolicosribeiraopreto.com

domingo, 13 de maio de 2018

"Nada há de mais frio do que um cristão despreocupado da salvação alheia."


"Nada há de mais frio do que um cristão despreocupado da salvação alheia. 

Não podes aduzir como pretexto a tua pobreza econômica; acusar-te-á a velhinha que deu as suas moedas no Templo.  O próprio Pedro disse: 'Não tenho ouro nem prata' (At 3,6). E Paulo era tão pobre que muitas vezes passava fome e não tinha o necessário para viver. 

Não podes pretex­tar a tua origem humilde; eles também eram pessoas humildes, de condi­ção modesta. Nem a ignorância te servirá de desculpa; todos eles eram ho­mens sem letras. 

Sejas escravo ou fugitivo, podes cumprir o que depende de ti; assim foi Onósimo, e vê qual foi a sua vocação... 

Não invoques a do­ença como pretexto, pois Timóteo estava submetido a frequentes indispo­sições. [...] Não há maneira de negar as propriedades das coisas naturais; o mesmo acontece com isto que agora afirmamos, pois está na natureza do cristão agir dessa forma [...]. 

É mais fácil o sol deixar de iluminar ou de aquecer do que um cristão deixar de dar luz; mais fácil do que isso seria que a luz fosse trevas. 

Não digas que é impossível; impossível é o contrário [...]. Se orientarmos bem a nossa conduta, o resto sairá como consequência natural.  Não se pode ocultar a luz dos cristãos, não se pode ocultar uma lâmpada que brilha tanto.[...]

Não digas; não posso ajudá-los, porque, se és cristão de verdade, é impossível que não o possas fazer[...].

Cada um pode ser útil ao seu próximo, se quiser fazer o que está ao seu alcance".



(S. João Crisóstomo, Homilia sobre os Atos dos Apóstolos 20).